A cliente traz o produto: quanto cobrar pela mão de obra

"Eu trago o produto, você só aplica, então sai mais barato, né?"
Sai um pouco mais barato. Muito menos do que ela imagina — e o risco, esse aumenta.
Por que o desconto é pequeno
A cliente acha que o produto é a maior parte do serviço. Não é.
| Componente | Peso típico |
|---|---|
| Produto | 10% a 20% |
| Tempo de cadeira (seu trabalho) | 55% a 65% |
| Custo fixo rateado | 15% a 20% |
| Margem | o que sobra |
Tirando o produto, sobra de 70% a 85% do preço cheio. Se a progressiva custa R$ 280, com produto dela fica entre R$ 200 e R$ 240. Não R$ 100.
A conta
Preço com produto dela = preço cheio − custo do produto que você usaria
Só isso. Não é "metade", não é "só a mão de obra pela metade". Seu tempo custa o mesmo, seu aluguel custa o mesmo, sua técnica é a mesma.
O risco que aumenta
Este é o ponto que muda a conversa. Quem aplica responde pelo resultado, independente de quem comprou o produto.
Se o produto dela for irregular, vencido ou incompatível com o cabelo, o cabelo quebra na sua mão, no seu salão, com a sua cliente. A frase "mas o produto era dela" não protege você.
As 4 condições para aceitar
- Produto lacrado. Frasco aberto pode ter sido misturado, diluído ou trocado.
- Rótulo legível e completo, com fabricante identificável e lista de ingredientes.
- Produto regular. Sem registro ou notificação na ANVISA, não aplique. Veja formol: o que a lei permite.
- Teste de mecha com o produto dela. Você não conhece esse produto. Testar deixa de ser recomendação e vira obrigação.
Faltou qualquer uma das quatro: não aplique.
O que dizer
"Posso aplicar sim. Fica R$ X, porque sai só o custo do produto — o tempo e o trabalho são os mesmos. Só preciso que o frasco venha lacrado e com rótulo, e vou fazer um teste de mecha antes, porque não conheço esse produto. Tudo bem?"
Frase curta, sem julgamento, com as condições dentro.
Quando recusar
- Produto sem rótulo, sem marca ou "que uma amiga fez"
- Frasco já aberto ou reenvasado
- Produto que você sabe ser irregular
- Cheiro forte característico de formol
- Cliente que se recusa a fazer o teste
Recusar não é perder cliente. É não assumir o prejuízo de outra pessoa.
Registre na ficha
Na ficha de anamnese, anote: produto fornecido pela cliente, marca, lote se houver, e que o teste de mecha foi realizado.
Se algo der errado, esse registro é a diferença entre uma discussão e uma prova.
Perguntas frequentes
Quanto cobrar quando a cliente traz o produto?
Preço cheio menos o custo do produto que você usaria. Em geral 70% a 85% do valor normal.
Posso cobrar o mesmo preço mesmo assim?
Pode, se você for transparente: "meu preço é fechado por serviço". Mas a maioria das clientes não aceita bem, e o desconto proporcional evita o atrito.
E se o produto dela render mais que o necessário?
O que sobra é dela. Não guarde produto de cliente sem combinar: some com o próximo atendimento e vira confusão.
Posso me recusar a aplicar produto de terceiro?
Pode. É o seu salão e a responsabilidade técnica é sua. Muitos profissionais têm essa política e ela é perfeitamente legítima.
E se ela trouxer produto de fora do Brasil?
Produto sem registro na ANVISA não deveria ser aplicado. Você não tem como verificar composição nem regularidade, e a responsabilidade continua sendo sua.
Quem aplica responde pelo resultado
O Método Liso Perfeito ensina o diagnóstico que te dá base para aceitar ou recusar produto que você não conhece.
Conhecer o Método Liso PerfeitoDavid Rocha
Mais de 35 mil profissionais formadas em 12 anos de escola. Escreve sobre o que aparece de verdade na mesa de suporte: o erro que quebrou o cabelo e o que teria evitado.