Formol no alisamento: o que a lei permite de verdade

Esse assunto vive cheio de meia-verdade de bancada. Vamos ao que a ANVISA publica, com a fonte linkada para você conferir.
O que a ANVISA diz
"As substâncias formaldeído (formol) e glutaraldeído (devido à semelhança química com o formol) não podem ser utilizados como alisantes capilares." — ANVISA, Produtos alisantes e ondulantes para cabelo
O formaldeído é permitido em cosmético para outras funções: como conservante, no máximo 1%, e como endurecedor de unhas até 5%.
A confusão nasce aí. O produto pode conter formaldeído como conservante e estar regular. O que é proibido é usar formol como agente alisante, e é isso que acontece quando alguém adiciona formol ao produto na bancada.
Os ativos que a lei autoriza para alisar
Pelo Anexo da Instrução Normativa nº 124, de 24/03/2022, reafirmada pela IN nº 220/2023, as únicas substâncias ativas autorizadas para alisar ou ondular no Brasil são:
- Ácido tioglicólico e seus sais
- Ésteres do ácido tioglicólico
- Hidróxido de sódio ou de potássio
- Hidróxido de lítio
- Hidróxido de cálcio associado a sal de guanidina
- Sulfitos e bissulfitos inorgânicos
- Pirogalol
Se o produto que você usa não declara qual desses ativos ele tem, você não sabe o que está aplicando. E é você quem responde pelo que sai da sua mão.
Como identificar produto irregular
| Sinal | O que indica |
|---|---|
| Sem registro ou notificação na ANVISA | Produto irregular. Consulte no site da agência |
| Rótulo sem lista completa de ingredientes | Não dá para saber o ativo |
| Cheiro forte e irritante que faz os olhos arderem | Suspeita de formol adicionado |
| Vendedor sugerindo "dar uma reforçada" no produto | Adicionar formol é ilegal |
| Preço muito abaixo do mercado | Costuma vir com composição irregular |
| Fabricante sem CNPJ ou endereço no rótulo | Sem responsável identificável |
Consulte o registro: a ANVISA mantém consulta pública de produtos notificados e registrados no site da agência. Produto que não aparece lá é produto que você não deveria aplicar em ninguém.
O risco que é seu
Não é só a cliente que corre risco. Quem passa 8 horas por dia num salão inalando vapor é você:
- Irritação de olhos, nariz e garganta
- Problemas respiratórios com exposição repetida
- Risco documentado à saúde em exposição crônica
Some a isso a exposição legal: autuação sanitária, responsabilização civil por dano à cliente, e o risco de o seguro não cobrir o que foi feito com produto irregular.
O que fazer quando a cliente pede
Ela chega pedindo "aquela progressiva forte que dura mais". A conversa que funciona:
"Esse tipo de produto é proibido porque faz mal para você e para mim, que respiro isso o dia inteiro. Eu trabalho com alisante autorizado, que entrega um resultado previsível e não coloca a gente em risco. O efeito dura menos? Um pouco. Mas você não perde o cabelo nem eu perco o salão."
Nunca ceda "só dessa vez". A responsabilidade é sua, não da cliente que pediu.
Perguntas frequentes
Existe progressiva sem formol que alisa igual?
Existem alisantes autorizados que entregam resultado muito bom. A durabilidade e o grau de alisamento variam por técnica e tipo de cabelo. Ajuste a expectativa antes de começar, não depois.
O produto diz "0% formol". Posso confiar?
Rótulo é declaração do fabricante, não laudo. Confie no produto que tem registro ou notificação na ANVISA e fabricante identificável. Rótulo sozinho não é garantia.
Posso adicionar formol para "melhorar" o produto?
Não. É proibido, e a responsabilidade pelo que você aplica é sua, não do fabricante.
Como sei se o produto tem registro?
Consulte no site da ANVISA pelo nome do produto ou pelo CNPJ do fabricante. Leva menos de dois minutos e é a diferença entre trabalhar dentro e fora da lei.
E o glutaraldeído e o ácido glioxílico?
Glutaraldeído é expressamente proibido como alisante pela ANVISA, pela semelhança química com o formol. Ácido glioxílico também não está na lista — e trocar formol por glioxílico não resolve nada. Veja a seção abaixo. Para qualquer outro ativo, a regra é a mesma: se não está na lista da IN 124/2022, não é autorizado como alisante.
⚠️ Trocar formol por ácido glioxílico não resolve
Com o cerco ao formol, muito produto passou a se vender como "sem formol" usando ácido glioxílico ou derivados. O mercado tratou isso como a alternativa segura. Não é.
Ácido glioxílico não consta na lista de ativos autorizados para alisamento. Pelo mesmo critério que barra o formol, ele está fora — e a segurança dele está sob reavaliação pela ANVISA.
O que já está documentado na literatura:
- Casos de lesão renal aguda por cristais de oxalato de cálcio associados ao uso, publicados no New England Journal of Medicine
- Alerta confirmado pela ANSES, a agência francesa
- O risco aumenta com o calor — ou seja, justamente na etapa da prancha — e em cabelo que também passou por descoloração
Na prática, para você: produto que promete alisamento e se apoia em glioxílico está na mesma situação legal do formol. "Sem formol" no rótulo não significa "dentro da lista".
Renomear não muda a categoria
A ANVISA classifica por formulação, concentração e fator de segurança — não pelo nome no rótulo nem pela promessa de venda. Chamar de "selagem", "botox", "redutor de volume" ou "orgânica" não tira o produto da categoria de alisante.
Em fevereiro de 2026 a ANVISA proibiu 8 produtos de botox e selagem capilar por falta de registro. A renomeação já é o padrão que a fiscalização caça.
Há ainda a exposição no Código de Defesa do Consumidor: vender como selante um produto que aliza quimicamente impede o consentimento informado da cliente.
⚠️ Norma muda. Este texto foi conferido na fonte oficial em 31/07/2026. Antes de decidir sobre um produto, confira a situação atual no site da ANVISA. A responsabilidade técnica pelo que você aplica é sua.
Dá para alisar bem dentro da regra
O Método Liso Perfeito trabalha com ativo autorizado e protocolo de aplicação. Resultado previsível sem colocar você em risco.
Conhecer o Método Liso PerfeitoDavid Rocha
Mais de 50 mil profissionais formadas em 10 anos de escola. Escreve sobre o que aparece de verdade na mesa de suporte: o erro que quebrou o cabelo e o que teria evitado.