Química capilar e segurança

Formol no alisamento: o que a lei permite de verdade

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Por David Rocha · 31/07/2026 · 5 min de leitura
Frasco cosmético profissional ao lado de lupa sobre superfície escura
Frasco cosmético profissional ao lado de lupa sobre superfície escura
Formol e glutaraldeído são proibidos como alisantes capilares no Brasil pela ANVISA. O formaldeído só é permitido em cosmético como conservante, dentro do limite da norma, e como endurecedor de unhas até 5%. Usar formol para alisar expõe a profissional a risco de saúde, autuação sanitária e responsabilização.

Esse assunto vive cheio de meia-verdade de bancada. Vamos ao que a ANVISA publica, com a fonte linkada para você conferir.

O que a ANVISA diz

"As substâncias formaldeído (formol) e glutaraldeído (devido à semelhança química com o formol) não podem ser utilizados como alisantes capilares." — ANVISA, Produtos alisantes e ondulantes para cabelo

O formaldeído é permitido em cosmético para outras funções: como conservante, no máximo 1%, e como endurecedor de unhas até 5%.

A confusão nasce aí. O produto pode conter formaldeído como conservante e estar regular. O que é proibido é usar formol como agente alisante, e é isso que acontece quando alguém adiciona formol ao produto na bancada.

Os ativos que a lei autoriza para alisar

Pelo Anexo da Instrução Normativa nº 124, de 24/03/2022, reafirmada pela IN nº 220/2023, as únicas substâncias ativas autorizadas para alisar ou ondular no Brasil são:

Se o produto que você usa não declara qual desses ativos ele tem, você não sabe o que está aplicando. E é você quem responde pelo que sai da sua mão.

Como identificar produto irregular

Sinal O que indica
Sem registro ou notificação na ANVISA Produto irregular. Consulte no site da agência
Rótulo sem lista completa de ingredientes Não dá para saber o ativo
Cheiro forte e irritante que faz os olhos arderem Suspeita de formol adicionado
Vendedor sugerindo "dar uma reforçada" no produto Adicionar formol é ilegal
Preço muito abaixo do mercado Costuma vir com composição irregular
Fabricante sem CNPJ ou endereço no rótulo Sem responsável identificável

Consulte o registro: a ANVISA mantém consulta pública de produtos notificados e registrados no site da agência. Produto que não aparece lá é produto que você não deveria aplicar em ninguém.

O risco que é seu

Não é só a cliente que corre risco. Quem passa 8 horas por dia num salão inalando vapor é você:

Some a isso a exposição legal: autuação sanitária, responsabilização civil por dano à cliente, e o risco de o seguro não cobrir o que foi feito com produto irregular.

O que fazer quando a cliente pede

Ela chega pedindo "aquela progressiva forte que dura mais". A conversa que funciona:

"Esse tipo de produto é proibido porque faz mal para você e para mim, que respiro isso o dia inteiro. Eu trabalho com alisante autorizado, que entrega um resultado previsível e não coloca a gente em risco. O efeito dura menos? Um pouco. Mas você não perde o cabelo nem eu perco o salão."

Nunca ceda "só dessa vez". A responsabilidade é sua, não da cliente que pediu.

Perguntas frequentes

Existe progressiva sem formol que alisa igual?

Existem alisantes autorizados que entregam resultado muito bom. A durabilidade e o grau de alisamento variam por técnica e tipo de cabelo. Ajuste a expectativa antes de começar, não depois.

O produto diz "0% formol". Posso confiar?

Rótulo é declaração do fabricante, não laudo. Confie no produto que tem registro ou notificação na ANVISA e fabricante identificável. Rótulo sozinho não é garantia.

Posso adicionar formol para "melhorar" o produto?

Não. É proibido, e a responsabilidade pelo que você aplica é sua, não do fabricante.

Como sei se o produto tem registro?

Consulte no site da ANVISA pelo nome do produto ou pelo CNPJ do fabricante. Leva menos de dois minutos e é a diferença entre trabalhar dentro e fora da lei.

E o glutaraldeído e o ácido glioxílico?

Glutaraldeído é expressamente proibido como alisante pela ANVISA, pela semelhança química com o formol. Ácido glioxílico também não está na lista — e trocar formol por glioxílico não resolve nada. Veja a seção abaixo. Para qualquer outro ativo, a regra é a mesma: se não está na lista da IN 124/2022, não é autorizado como alisante.


⚠️ Trocar formol por ácido glioxílico não resolve

Com o cerco ao formol, muito produto passou a se vender como "sem formol" usando ácido glioxílico ou derivados. O mercado tratou isso como a alternativa segura. Não é.

Ácido glioxílico não consta na lista de ativos autorizados para alisamento. Pelo mesmo critério que barra o formol, ele está fora — e a segurança dele está sob reavaliação pela ANVISA.

O que já está documentado na literatura:

Na prática, para você: produto que promete alisamento e se apoia em glioxílico está na mesma situação legal do formol. "Sem formol" no rótulo não significa "dentro da lista".

Renomear não muda a categoria

A ANVISA classifica por formulação, concentração e fator de segurança — não pelo nome no rótulo nem pela promessa de venda. Chamar de "selagem", "botox", "redutor de volume" ou "orgânica" não tira o produto da categoria de alisante.

Em fevereiro de 2026 a ANVISA proibiu 8 produtos de botox e selagem capilar por falta de registro. A renomeação já é o padrão que a fiscalização caça.

Há ainda a exposição no Código de Defesa do Consumidor: vender como selante um produto que aliza quimicamente impede o consentimento informado da cliente.


⚠️ Norma muda. Este texto foi conferido na fonte oficial em 31/07/2026. Antes de decidir sobre um produto, confira a situação atual no site da ANVISA. A responsabilidade técnica pelo que você aplica é sua.

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David Rocha

Fundador da Faculdade da Beleza

Mais de 50 mil profissionais formadas em 10 anos de escola. Escreve sobre o que aparece de verdade na mesa de suporte: o erro que quebrou o cabelo e o que teria evitado.